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Eternidade ou romantismo?

Por eliane em 04 de outubro de 2009

Eternidade ou romantismo?

 

Foi ontem que aconteciam os sorrisos e já faz tanto tempo. Não é raro ouvir comentários como esse.

A gente vai desenvolvendo a ideia de felicidade e olha para os lados e escolhe. Pensa que é igualzinho como acontece nos contos de fadas, felicidade eterna. Quando no fundo a gente nem faz ideia do peso da palavra eternidade.

No começo tudo é simples, basta conquistar, seduzir, arrastar o sujeito para bem próximo e cuidar para que ele não consiga visualizar outra imagem que não seja a nossa. E claro, a gente critica os homens, mas parecemos galos de briga prontos para as bicadas quando alguma galinha (opa, desculpem o termo) aproxima do nosso território. Essa crônica parece meio machista devido ao uso da palavra galinha, mas foi somente para combinar com briga de galos e na verdade muitos homens ainda fazem uso dele, da mesma forma que há mulheres que usam a palavra cachorro para designar alguns deles. E nem irei entrar nos pormenores da bicharada ou isso vira a Arca de Noé sem Noé.

Relacionamento é coisa esquisita. O que são dois em um de repente viram três, quatro ou mais. Lidar com a chegada de intrusos esperados é quase como escalar o Everest sem nunca ter tido aulas de alpinismo.

E os varais ficam entupidos com aquelas roupas miudinhas, a cozinha parece prateleira de supermercado com artefatos infantis para todo lado.

O príncipe já reclama da cama desarrumada, da mulher sem os cabelos impecáveis de antes e do arroz queimado.

A mulher ideal critica a barriga do marido, as meias e cuecas fora do lugar, o tubo de pasta aberto escorrendo na pia.

O que era motivo de risos passa a ser motivo de discussões.

Ele com um salário de fantasia sonha com o sambódromo e passistas morenas, coisas de Brasil. Ela se imagina uma modelo com as curvas bem definidas e o glamour das noites de festa.

Enquanto isso a realidade em cena cuida de afastar os nossos sonhadores dispostos a cultivar eternidade.

Conheci um casal que não venceu os primeiros meses de casamento. Esperavam facilidades, amor sem fim. Os dias correram e as contas começaram a bater na porta quebrando assim a garantia de que estavam decididos a viver o indissolúvel. Nada encaixava, além de umas poucas e ásperas palavras. Outros amigos tentaram aconselhar em vão. Não suportaram o peso responsabilidade.

A verdade é que sonhamos com um amor eterno, mas não fazemos para isso. Olhamos de rabo de olho para o outro quando algo nos desagrada e olhamos de olhos arregalados para o que passa lá fora na impressão de que ele é a solução.

É como se a beleza houvesse mudado de endereço.

Não, ela não mudou, é que é preciso nas dificuldades continuar a manter o amor.

Sim, eu sei que é difícil, mas é necessário cultivar, cativar. Viver encharcado da loucura da paixão e cometer as mais absurdas demonstrações de carinho.

Convivência é maturidade e entrega. É a consciência de que já não se é um galo de briga, uma galinha, um cachorro ou outro bicho qualquer, mas um ser responsável pela desenvoltura da nossa vida que só será melhor se fizermos melhor a do outro.

É preciso vencer os tabus e gozar junto tudo o que vier, e sofrer junto, com a certeza de que há solução para o que quer que seja.

E olha que amor só tem a ver com eternidade quando é 100% romantismo, e o maior lance é manter o entusiasmo de antes ou preparar para morrer a bicadas na arena.

Cenas tórridas de novelas não são apenas para personagens fictícias. O bom existe para ser vivido e a maioria dos relacionamentos falidos estão grudados na tv. Pena é que apenas sonham e lamentam não possuir o que deixaram morrer.

Então, meninas e meninos, vamos lá. Vamos fazer com que a vida do amado ou da amada seja a nossa em êxtase e mimos.

Alguém deve começar algo, antes que seja tarde. Romances não resistem ao desprezo.

 

Eliane Alcântara.

Tags: , Em: Cantinho de Fé

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