Por Devair Guimarães de Oliveira
Um Airbus da Air France que partiu do Rio no domingo (31/05/09) em direção a Paris desapareceu sobre o oceano. O voo AF 447 da Airbus A330 levava 228 pessoas. No sábado (6), a Aeronáutica anunciou ter encontrado os primeiros corpos de passageiros e alguns destroços do avião. Quando as limitações do homem são colocadas à prova evidencia-se o desespero de muitos. Nestas ocasiões o homem descobre que ainda sabe muito pouco e se não encontrarem a caixa preta do Airbus ficará mais um mistério sem resposta do que realmente aconteceu.
Diante do fato formou-se um grande aparato de busca em torno do acidente que vitimou 216 passageiros e 12 tripulantes. São centenas de especialistas, dezenas de aviões, helicópteros, vários tipos de embarcações, submarinos e todo tipo de equipamentos dos mais sofisticados do mundo foram colocados a serviço na busca dos destroços do Airbus A 330 e de corpos.
Quando tragédias como esta acontece o mundo inteiro se mobiliza e o menor sinal a mídia está ali para mostrar. Milhares de jogadores em todo o mundo fizeram o tradicional minuto de silêncio, missas e outros tantos religiosos de todas as crenças pararam para homenagear as 228 pessoas a bordo do Airbus A330 do vôo 447. Mas há no mundo um povo que se preocupa mais com os vivos, em Lucas Cap. 9: 59,60 Jesus disse: “Segue-me.” Ao que este respondeu: “Permite-me ir primeiro sepultar meu pai.” Replicou-lhe Jesus: “Deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos; tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus.”
Quantas pessoas não tem tempo para nada, nem para procurar Deus e quando acontece uma tragédia entram em desespero e aí vão à igreja, * “Não há situação desesperada, e sim homens que se desesperam por certa situação.” Um senhor brincava com seu filho quando um garoto de 12 anos aproximou deles e começou reclamar da ausência que sentia de seus pais, preocupado o senhor foi conversar com o garoto e ficou surpreso com a história que ouviu, disse o garoto: “Meus pais são empresários e desde que nasci eles nunca tiveram tempo para brincar comigo, o maior tempo que passei com eles foi quando houve um acidente com um avião da TAM em que minha vó faleceu e enquanto eles liberavam o corpo ficamos juntos três dias, mas aí não dava para brincar né.” O que nos chama atenção também são as grandes tragédias que passam despercebidas.
Milhares de desastres acontecem diariamente. 48 mil pessoas são assassinadas no Brasil por ano, o equivalente aos mortos numa guerra. Em apenas um mês, morre no trânsito do Brasil o equivalente a todos os soldados americanos que faleceram nos quatro anos de ocupação iraquiana (3.350).
Segundo a ONU, mais de 30 milhões de pessoas morrem de fome a cada cada ano, mais do que pela malária, a AIDS e a tuberculose juntas, em 2004, relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), concluiu que morrem de fome, anualmente, pelo menos 5 milhões de crianças no mundo, o que dá uma média de um óbito a cada 5 segundos. No Nordeste do Brasil, nas favelas de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, há um ritual todas as noites: Crianças gritando com a dor causada pela fome.
O Mundo está doente, as pessoas que detém poderes para fazer algo, nada fazem. Aprendemos com as grandes tragédias? Icebergs, enchentes, Tsunami, 11 de setembro, grande parcela da sociedade vê, mas não enxerga, escuta, mas não quer ouvir, dorme e não descansa, estão sem o equilíbrio necessário entre o corpo e a alma, onde prolifera a corrupção e a falta de amor.
*Devair Guimarães de Oliveira