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Tem que comer para emagrecer

Por Devair Guimarães de Oliveira em 18 de dezembro de 2008

Conheça os nutrientes que não podem faltar no prato de quem quer emagrecer.
De Adriana Toledo para o Jornal das Montanhas
Foto: Dercílio
Fazer severas restrições alimentares não é a melhor estratégia para eliminar os quilos indesejáveis. É que muitas vezes, na ânsia de afastar calorias, deixa-se de ingerir fontes de vitaminas e minerais que acionam o metabolismo – sim, alguns deles também têm essa missão. O grande risco, então, é ganhar peso. Ou, no mínimo, estacionar no peso. “Esses nutrientes ativam enzimas, regulam a produção de insulina, agem nas células de gordura e participam de outros processos metabólicos”, explica a nutricionista carioca Andréa Ramalho, autora do livro Fome Oculta, que acaba de ser editado pela Atheneu.
Os ligados em nutrição na certa já ouviram falar em fome oculta e na sua relação com a fadiga. Ela é aquele estado em que o nutriente está em falta mas o corpo ainda não manifesta sinais de carência pra valer. Todos também sabem que dietas rigorosas abalam nossos estoques e requerem suplementação de nutrientes, “caso o consumo diário de calorias fique abaixo de 1 200″, como faz questão de ressaltar o endocrinologista Marcio Mancini, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, em São Paulo. O que é absolutamente novo é o elo entre o déficit nutricional e a balança, que esmiuçamos aqui.

Conheça agora os nutrientes que colaboram com a boa forma.

VITAMINA A (4)
Ela não é mineral, claro – e minerais são os nutrientes mais envolvidos nessa história -, mas quando falta, a barriga de chope desponta. “Isso porque a vitamina A regula genes que atuam na formação de células de gordura, os adipócitos”, explica Andréa Ramalho. Ou seja, sua deficiência faz com que nosso DNA ordene a formação de depósitos gordurosos. Pior: na ausência do nutriente, que responde também pela morte programada dos adipócitos, eles aumentam de tamanho e vivem mais. Hoje se sabe que essa vitamina ajuda a aplacar a fome exagerada e, conseqüentemente, evita que você cometa excessos calóricos. “Isso porque ela estimula a produção de leptina, o hormônio da saciedade, fabricado no próprio tecido adiposo”, afirma Andréa.
Segundo a nutricionista, para completar, a substância ajuda à beça os que já apresentam um sobrepeso, já que os quilos extras sempre disparam uma maior produção de radicais livres, que danificam as células. E a vitamina A, com potencial antioxidante, combate esses agentes nocivos.

ZINCO (1)
Para começo de conversa, esse mineral desempenha um papel importante no equilíbrio da glicemia. E tem ação antioxidante, o que ajuda a proteger o organismo de inflamações desencadeadas pelo excesso de gordura. “O zinco compõe diversas enzimas, como a superoxidodismutase, que varre os radicais livres”, explica a nutricionista Liliane Pires, da Universidade de São Paulo. “Além disso, ele age nos receptores de insulina, o que favorece a queima do açúcar e sua conversão em energia”, completa. Em outras palavras, o mineral impede que a glicose se acumule e vire — adivinhe! —, sim, ela mesma, a gordura.

Como se não bastasse, o zinco ainda auxilia o trabalho das proteínas GLUT1 e GLUT 2, que transportam a glicose para as células. “Estudos já demonstraram que a deficiência do mineral reduz a produção de insulina pelo pâncreas”, afirma Andréa Ramalho. Mais: o mineral regula outro hormônio, o do crescimento, envolvido com uma distribuição mais equilibrada das moléculas gordurosas no corpo”, diz a endocrinologista Alessandra Rascovski, de São Paulo. Quer um motivo extra para não abrir mão dele? Aqui vai: o zinco se revelou um grande parceiro da vitamina A, dando um empurrão para que seja mais bem absorvida e mais bem utilizada pelo corpo.

CÁLCIO (3)
Sobram estudos demonstrando a ação desse nutriente no combate à obesidade. Um dos mais recentes, realizado com 32 adultos obesos na Universidade do Tennessee, nos Estados Unidos, deixou claro esse vínculo. Os voluntários foram divididos em três grupos e
submetidos a uma dieta de restrição calórica. O primeiro deles recebeu 400 miligramas diários de cálcio; o segundo, uma substância inócua; e o terceiro, somente a alimentação minguada. Assim, os pesquisadores constataram que a redução de peso foi significativamente maior nas pessoas que consumiram o mineral. “A hipótese é que o cálcio aja dentro do adipócito, estimulando a queima de gordura estocada lá dentro. Porém, esse mecanismo não foi totalmente esclarecido”, explica a nutricionista Mariana del Bosco, do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Ele talvez atue na ativação da enzima lipase hormônio-sensível, capaz de quebrar os triglicérides, que são uma das maneiras de o organismo estocar gordura”, especula Marcio Mancini.

MAGNÉSIO (6)
“Ele é a chave para o aproveitamento de energia”, resume a nutricionista Cristiane Sales, da Universidade de São Paulo. Uma pesquisa conduzida na Universidade da Califórnia envolvendo 7 669 participantes endossa essa afirmação. Os cientistas notaram que o consumo de magnésio reduziu a incidência da síndrome metabólica, condição que inclui o acúmulo de gordura abdominal.

De acordo com Cristiane, o nutriente ativa enzimas essenciais para a síntese de carboidratos e glicose. “Algumas delas, como a frutoquinase e a isomerase, facilitam o armazenamento de gordura no fígado, para que, em seguida, ela seja usada, em vez de se depositar na cintura”, diz ela. “Sem falar que o magnésio também melhora a interação entre a insulina e seus receptores nas células, facilitando a queima do açúcar”, completa. Alessandra Rascovski diz mais: “O magnésio ainda interfere positivamente na absorção do cálcio. Portanto, é fundamental para que ele trabalhe de modo adequado”, afirma.

VITAMINA D (5)
Pouca gente sabe, mas ela é importante no equilíbrio de açúcar, especialmente no que se refere à liberação de insulina. “Além de promover a síntese de proteínas nas células do pâncreas, a vitamina D contribui para a conversão dos precursores da insulina no hormônio propriamente dito, por isso, incrementa sua produção”, garante Andréa Ramalho. Níveis inadequados do nutriente estariam, segundo ela, ligados ao aumento de gordura corporal e a uma presença crescente de substâncias inflamatórias. Além disso, a vitamina D é essencial para a absorção de cálcio, entre muitos outros benefícios. Mas, quando falta, o problema não está no prato tímido de quem se atreve a fazer uma dieta maluca: para obter vitamina D, você precisa de sol

FERRO (2)
Antes de tudo, vale ressaltar que esse mineral tem uma função preponderante na absorção da vitamina A. “Sua deficiência compromete a mucosa do intestino, que então não faz esse serviço direito”, diz Andréa Ramalho. “E a literatura médica sugere que estoques adequados de ferro podem diminuir o risco de complicações metabólicas, enquanto seus baixos teores contribuem para o ganho de peso e para o acúmulo de tecido gorduroso no abdômen”, completa a nutricionista. Mas, ainda faltam estudos que esclareçam completamente esse mecanismo.

Tags: , Em: Saúde

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